Produtos para Ligeiros / Van / 4x4

Imagem vintage de mulheres a participar numa corrida e a arrancar da linha de partida

Atletas femininas revolucionárias

ATLETAS FEMININAS REVOLUCIONÁRIAS QUE MUDARAM A FORMA COMO AS MULHERES CORREM

Correr é algo quase universal. É um desporto e exercício físico que não requer equipamento especial, não precisa de bola, árbitro, treinador, nem equipa. Apenas requer um bom par de sapatilhas, o corpo e a mente. Apesar de o conceito de corrida ser simples, para as mulheres nem sempre foi fácil praticá-lo. Na realidade, a corrida de resistência era considerada pouco feminina e todos, desde médicos a professores e organizadores – até mesmo o Comité Olímpico Internacional – tentaram impedir as mulheres de participarem no desporto. Graças a mulheres que lutaram contra este absurdo, as corridas por diversão, as maratonas e até as grandes provas de resistência contam com uma participação diversificada e estão abertas basicamente a todos – independentemente da etnia, incapacidade, idade ou género. Saiba mais sobre as mulheres incríveis que despoletaram uma revolução transformadora e que continuam a mudar a forma como corremos hoje em dia.

BOBBI GIBB, A PRIMEIRA MULHER A ACABAR A MARATONA DE BOSTON

Bobbi Gibb running the 1967 Boston Marathon without a bib as the first female runner.

Bobbi Gibb running the 1967 Boston Marathon without a bib as the first female runner

A primeira mulher de sempre a acabar a Maratona de Boston em 1966 não estava inscrita na prova pois a sua inscrição foi rejeitada, simplesmente porque não era um homem. Quando submeteu a sua inscrição, recebeu como resposta uma carta que dizia: “as mulheres não estão fisiologicamente preparadas para correr maratonas”. No entanto, na altura ela já corria mais de 60 quilómetros de uma assentada. O que foi razão suficiente para provar aos organizadores que estavam enganados em relação às mulheres.

No dia da maratona, Gibb escondeu-se nos arbustos perto da linha de partida, esperou que metade do pelotão passasse e depois juntou-se à prova. Ao aproximar-se da meta, as mulheres que assistiam começaram a saltar e a aplaudir como forma de apoio. Gibb recorda: “em parte, o que eu queria fazer era mostrar que os homens e as mulheres podem fazer coisas juntos e queria mudar a forma como as pessoas veem as mulheres”.

 

Em parte, o que eu queria fazer era mostrar que os homens e as mulheres podem fazer coisas juntos e queria mudar a forma como as pessoas veem as mulheres.

Bobbi Gibb

KATHRINE SWITZER, A PRIMEIRA MULHER A PARTICIPAR NA MARATONA DE BOSTON COMO ATLETA INSCRITA

Imagem emblemática de Kathrine Switzer a ser perseguida por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967

Imagem emblemática de Kathrine Switzer a ser perseguida por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967

Um ano depois de Bobbi Gibb correr na maratona sem estar inscrita, Kathrine Switzer foi a primeira mulher a participar na Maratona de Boston como atleta inscrita. No entanto, foi apenas porque foi confundida com um homem.

Switzer conseguiu inscrever-se pois tinha o hábito de assinar o seu nome como K.V. Switzer, em vez de Kathrine Virginia.  E como no dia da maratona estava um frio terrível, Switzer tinha vestido um fato de treino cinzento – semelhante ao que os 740 homens que estavam a participar usavam. Só perto do marco das 3 milhas (cerca de 5 km depois do início) é que o diretor da prova, Jock Semple, se apercebeu de que havia uma mulher a participar com um dorsal oficial.

Semple foi atrás de Switzer e tentou arrancar-lhe o dorsal, enquanto gritava: “Desaparece da minha prova e dá cá esses números!”. Felizmente, o namorado de Switzer estava por perto e conseguiu empurrar Semple para fora do percurso. Apesar de ter ficado um pouco abalada com a situação, Switzer diz que “naquela altura, queria mostrar que as mulheres conseguem correr maratonas e acabar a corrida, e que merecem participar”. Switzer continuou a correr com o seu emblemático dorsal nº 261 e acabou a maratona.

THE NYC SIX (AS SEIS DE NI), ATLETAS FEMININAS QUE PROTESTARAM CONTRA A DISCRIMINAÇÃO NA MARATONA DA CIDADE DE NOVA IORQUE

Em 1972, seis atletas, Lynn Blackstone, Jane Muhrke, Liz Franceschini, Cathy Miller, Pat Barrett e Nina Kuscsik, inscreveram-se na Maratona da Cidade de Nova Iorque. Apesar de terem sido autorizadas a participar, a condição para a sua participação era arrancarem 10 minutos antes dos homens. Esta regra tinha sido criada pela União Atlética Amadora (AAU), a entidade reguladora das maratonas nos EUA, na altura.

Num ato de desobediência contra a regra discriminatória, as seis mulheres sentaram-se assim que se ouviu o disparo que assinalava a sua partida e levantaram cartazes de protesto: “Ei, AAU. Estamos em 1972. Acordem.”, 10 minutos depois levantaram-se e arrancaram com os homens quando o segundo disparo se ouviu.

Lynn Blackstone, Jane Muhrke, Liz Franceschini, Cathy Miller, Pat Barrett e Nina Kuscsik

Lynn Blackstone, Jane Muhrke, Liz Franceschini, Cathy Miller, Pat Barrett e Nina Kuscsik

Female runners participating in the 2019 NYC marathon

Atletas femininas a participarem na Maratona da Cidade de Nova Iorque de 2019


Graças a mulheres contestatárias como as NYC Six, o desporto tornou-se menos tendencioso com base no género – e mais inclusivo no geral, como mostram atualmente as inscrições na maratona…

TURIA PITT, A MARATONISTA SOBREVIVENTE

Atleta do Ironman Turia Pitt atualmente

Atleta do Ironman Turia Pitt atualmente

Atualmente, as mulheres continuam a redefinir a corrida. Turia Pitt é uma delas. Em setembro de 2011, Pitt estava a participar na ultramaratona de 100 km no interior da Austrália quando foi surpreendida por um incêndio. Pitt ficou com queimaduras em 65% do corpo e os médicos não estavam à espera que ela sobrevivesse. Perdeu sete dedos, passou seis meses no hospital, aguentou 200 cirurgias e demorou dois anos a recuperar.

Contra todas as expectativas, Pitt conseguiu reconstruir a sua vida. Em maio de 2016, conseguiu acabar o seu primeiro Ironman e cinco meses depois competiu no Campeonato Mundial de Ironman no Havai! Apesar de tudo o que Pitt passou, ela provou a si mesma e ao mundo que é possível atingir novos auges, mesmo depois de sofrer uma experiência traumática e debilitante. Ainda que tenha sido precisa muita paciência, caminhada e, só depois, corrida, ela conseguiu.

RAHAF KHATIB, A MARATONISTA DE VÉU

 

Estou a tomar uma posição sem sequer abrir a boca, basta estar na linha de partida.

Rahaf Khatib
Em todo o mundo há mulheres que gostam de correr

Em todo o mundo há mulheres que gostam de correr

Outra atleta a revolucionar a forma como as mulheres correm é Rahaf Khatib, uma maratonista de alta competição e embaixadora da adidas. Também é a primeira mulher síria a acabar seis maratonas mundiais, e com mais 11 maratonas e dois triatlos no seu currículo, é uma verdadeira campeã da corrida! O que é que a torna diferente de outras maratonistas? O facto de não deixar a sua religião interferir na sua paixão por corrida.

Para Khatib, correr com o seu véu é algo natural, mas para os outros o seu significado é gigantesco: “Quando vou correr e encontro pessoas, apercebo-me da profunda posição que estou a tomar. Estou a tomar uma posição sem sequer abrir a boca, basta estar na linha de partida”. Khatib sente que é isso que tem de fazer pelas outras mulheres muçulmanas, sobretudo para combater estereótipos negativos. Assim, ela está não só a criar a mudança necessária, mas também a abrir caminho para outras mulheres que querem sair, caminhar, correr e perseguir os seus sonhos.